
Sou agarrada a memórias. E como sou agarrada, custa-me sempre deslargar. Gosto da minha zona de conforto, mas sei que, por vezes, só melhoramos a nossa vida saindo dela, enfrentando problemas e obstáculos, lutando por pensamentos próprios. Mas eu sou assim, presa ao que me cativa. E sinto saudade. Sinto-a, porque não sou capaz de largar o passado. Nunca precisei de o fazer, não sei como funciona e, enquanto assim puder viver, também não quero saber. Dentro de mim há o bichinho do conhecer, mas sou consciente de que para percebermos certas coisas precisamos de passar por elas. E o mundo desvaloriza-se. Olho à minha volta e vejo cada pessoa, em certo momento, a ser desvalorizada. Seja muito boa ou muito má, neste mundo ninguém está imune à desvalorização - não me refiro a amor, amizade, ou sentimentos bonitos, digamos assim, refiro-me a actos dos quais não nos apercebemos porque tínhamos algo em mente, e jamais fora nossa (ou melhor, apenas de alguns) intenção desvalorizar. Assim, percebemos por vezes, quando perdemos algo importante, certos valores. Por vezes, achamos que não lhes demos a importância que achamos, nessas alturas, que devíamos ter dado. No entanto, se calhar não é sempre assim. No geral é, mas nem sempre o tem de ser. Isto é, por vezes damos por nós intensamente dentro de um momento, paramos e sorrimos, e pensamos em quanta sorte temos por estar a viver aquele segundo daquela forma. Depois... Depois há aqueles que fogem a esses pensamentos por, supostamente, serem demasiado bonitos para se ter. E neste mundo,a inocência começa a tornar-se rara naqueles que não são crianças.
Quando a tristeza se aproxima, percebemos o valor que um simples gesto, em certas alturas tão banal, poderia ter naquele momento.
E quando um sorriso chega na altura certa, aí sim sentimos o significado de plenitude.
A Ti, Obrigada.
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